26 de jun de 2008

ANIVERSÁRIO

CARTA DOS BARBONOS



A exposição dos problemas existentes na policia, já há muito vem sendo feita por pesquisadores e estudiosos da segurança sem que se consiga o devido eco na sociedade. O exemplo disso é que nos idos de 70, Virgilio Luiz Donnici, em seu livro: “A Criminalidade no Brasil: meio milênio de repressão” já elencava quatorze itens que, baseado em seus estudos, necessitavam urgente reformulação para a melhoria da Policia, dentre os quais sito:
1 – “Salários insuficientes e baixos;
2 – Ausência de uma profissionalização policial porque hoje o policial tem a Polícia como bico;
3 – Ausência de uma deontologia policial;
4 – Ausência de condições para o trabalho policial; dentre outras.

Recordando o que já foi dito por muitos, em face da importância de não permitir que caia no esquecimento, mesmo sob o risco de tornar-me chato e enfadonho, sigo reportando-me ao dia 03 de julho de 2007, quando surgia na mídia um grupo de Coronéis denominados Coronéis Barbonos que, através da Carta dos Barbonos, denominada “PRO LEGE VIGILANDA” (Para a Vigilância da Lei), elencavam doze itens que os mesmos julgavam necessário reformular para melhorar a Policia Militar e o serviço por ela prestado .
Neste histórico documento, encaminhado ao Comandante Geral da PMERJ, Secretário Estadual de Segurança Pública da época e Governador do Estado, além é claro, da Sociedade civil através da mídia, o grupo de Coronéis buscava levar às autoridades os problemas que mais afligiam a Corporação naquele momento, com o fito de melhorar a qualidade do serviço prestado pela Polícia e como conseqüência a melhoria no atendimento a comunidade e a otimização da Segurança Pública de nosso Estado.
A Carta dos Barbonos com seus doze itens, como se vê, não trazia novidade em seu conteúdo, pois cientistas sociais, pesquisadores e estudiosos já apresentavam os óbices. Não, não era a exposição dos problemas a inovação, mas o fato de tal exposição ter sido feito por integrantes do aparelho policial, na busca de melhorar a qualidade de vida dos profissionais e conseqüentes aperfeiçoamentos na assistência ao cidadão.
Iniciava-se uma nova era, onde profissionais vivenciando os transtornos ao exercício, corajosamente apresentavam às autoridades e ao público, suas dificuldades, na tentativa de encontrar apoio para solucioná-las.
Esboçavam um protótipo de “Política de Segurança Pública”.
O resultado deste embrionário projeto: exonerações, perseguições políticas, tentativa de desmoralização alcunhando-os de traidores da Instituição. Isso mesmo, os que abriram mão de tudo em prol do que julgavam melhor para a PMERJ foram, pelos que se assenhorearam do poder e das gratificações, hostilizados e taxados de inimigos da Corporação.
Valores subjugados e corrompidos. Dura realidade.
Um ano decorrido e a sociedade ainda aquiesce esta inversão. Acolhe, por omissão, a Insegurança Pública reinante em nosso Estado.
Está na hora de cobrar do Estado, tudo o que vem sendo muito bem pago pelos contribuintes, através de inúmeros e altíssimos impostos e lembrar que, portanto, não estariam fazendo favor e sim cumprindo com sua obrigação; esta na hora de exercer a cidadania tão decantada e não praticada. Quando a sociedade entender a necessidade da cobrança do que lhe é direito, não importando o “fenômeno” de ainda haver o cidadão que não tenha sido alvo dessa violência deflagrada em nosso Estado, então caminharemos para frente e não veremos os demais Estados da Federação evoluindo enquanto nós nem mais estacionados estamos, mas sim, indo de marcha à ré, ladeira abaixo.


CORONEL ESTEVES

8 de jun de 2008

SEGURANÇA

O CLIMA

No Rio de Janeiro, não somente na capital, mas principalmente, o povo com sua inconteste sabedoria acerta em cheio quando diz: “a maré não está pra peixe”.
A vida neste estado é digna de um filme de “Indiana Jones”, pura adrenalina. A cada dia que se consegue sobreviver ou mesmo passar ileso diante dos diversos tipos de violência a que estamos expostos, é uma vitória a ser comemorada.
Raras são as famílias que ao término de uma semana não tem alguma história para contar sobre uma agressão que algum dos seus integrantes ou assemelhados foi alvo. Retrato do descaso e do abandono de que são vítimas os residentes deste tão belo Estado.
A não existência de uma Política de Segurança tangível e compreensível, sem sombra de dúvidas contribui para o crescimento do medo na população ordeira, que aprende a conviver com isso da mesma forma que se torna mais crédula dos desídeos de Deus, pois tem consciência que só o criador poderá salva-la.
É bem verdade que a culpa não é única e exclusiva dos atuais administradores do nosso amado Estado, a coisa vem se arrastando e piorando há décadas, todavia o questionamento se faz:
O que estão fazendo para mudar este quadro?
Ou pelo menos estancar o descalabro ora instalado?
Sabiam das dificuldades que iriam enfrentar ao se candidatarem e mesmo assim prometeram dar um basta ou pelo menos dar os primeiros passos para tal. Ainda não o fizeram. Enfiam os pés pelas mãos neste mistér.O povo está certo, a continuar assim, “só deus pode nos salvar".
CEL ESTEVES