12 de jun. de 2009

LOBO SOLITÁRIO


Quem me conhece sabe de minha admiração pelos animais e muitas vezes, ao falar de uma pessoa a quem considero como especial, faço de forma análoga a um espécime do mundo animal.
Neste “post” pretendo falar de alguém que admiro por seu idealismo, ética, senso de justiça e tantas outras virtudes tão raras hoje no mundo dos homens.
Major Wanderby é “um lobo solitário” na luta por um ideal, o que para ele é sua sobrevivência como ser.
Por que um Lobo? Bem, além de serem animais com uma linha de ação retilínea e coerente com sua personalidade, possuem um senso de hierarquia altamente desenvolvido, que lhes permite viver em sociedade organizada e cooperativa. É certo que existe o dominante e o dominado em uma alcatéia, o que facilita a sobrevivência do espécime. A hierarquia não é "rígida". Em algumas funções, quando necessário, outro lobo distinto do "líder" pode tomar as iniciativas. Também é certo que o dominante não exerce sua liderança como um tirano humano (prazer de poder pelo poder).
Os lobos não atacam indistintamente, o fazem apenas para garantir a sua existência, sendo animais incrivelmente tímidos. Afirmo isto respaldado em tudo que eu já li e ouvi sobre estes nobres seres.
Ao longo dos séculos, o lobo foi um dos animais mais temidos e odiados pelo homem e a caça e destruição do seu habitat o levaram a extinção em várias regiões em que antes era comum. Porque odiado pelo homem? Talvez pelo fato de que lobos são organizados e retraídos, mas não se deixam subjugar pelo autoritarismo dos homens.
Como se pode constatar, Major Wanderby tem muito em comum, pois luta por sua “alcatéia”, a PMERJ, não se entrega ao jugo dos ditadores, que por isso o temem e o odeiam, lançando sobre ele injúrias, com o fito de desmoralizá-lo e enfraquecê-lo.
Se abala, mas não recua. Segue em frente na busca do que acredita. Tenaz, é ferido mas não abatido.
Os lobos, ao contrário dos felinos (como leões, tigres, leopardos), não dependem nem de velocidade nem do elemento surpresa para pegar suas presas. Sua estratégia baseia-se na resistência e as caçadas podem durar dias.
E assim segue nosso incansável herói – persistindo em detrimento de toda sorte de covardias impostas a ele.
Ao Major Wanderby, meus sinceros agradecimentos pelo exemplo deixado na nossa briosa Corporação de como se porta um verdadeiro Policial Militar.
De coração, auguro que seu exemplo seja seguido por outros tantos homens de bem que labutam em nossa Instituição.

ESTEVES – CEL RR

3 de mai. de 2009

A DEMOCRACIA

Ao ler o “post” do Jornalista (com “J” maiúsculo) Gustavo de Almeida, no blog - http://gustavodealmeida.blogspot.com/ - intitulado “Ah, a democracia”, me reporto aos idos de 1994, quando eu ministrava palestras sobre Policiamento Comunitário de Quarteirão (aos Policiais do 19º Batalhão) e Policiamento Comunitário aos Policiais alunos do CFAP e a sociedade, pelo interior de nosso Estado.
Recordo-me que um dos enfoques era o de como realizar um Policiamento em regimes democráticos. Lembro-me que neste ponto se fazia necessário, principalmente junto aos Policiais, deixar bem claro o que era um regime democrático.
Bem, tudo isso para dizer de minha torcida para que os policiais participantes daquelas trocas de conhecimentos e experiências onde a ênfase era a democracia, tenham se esquecido de tudo o que lhes disse, sob o risco de, caso a memória não os tenha traído, estar passando por mentiroso em face da pseudo-democracia por nós hoje vivenciada e que a cada dia apresenta um fato novo digno das mais austeras ditaduras.
Exemplos, não faltam. Ao expressar sua opinião técnica sobre tema, que por dever de ofício, é conhecedor, um cidadão Policial Militar foi punido administrativamente. Em outro momento, um profissional de mídia é aconselhado a rever seus conceitos sobre determinado assunto, sob pena de ir para “geladeira”. Ainda outro, apesar de integrante de renomado Jornal, é convidado, de forma constrangedora, a se retirar de estabelecimento público, sendo, abusivamente, impedido de exercer seu trabalho. Um Profissional de Segurança é ameaçado de ter ceifada sua carreira, por expressar publicamente seus pontos de vista.
Ora, apesar de garantido “O Direito à Liberdade de Reunião e de Associação Pacífica”, “A liberdade de Opinião e de Expressão”, em todos os Instrumentos de Direitos Humanos nos quais o Brasil é signatário, (tais como Convenção Internacional sobre os Diretos Civis e Políticos e Declaração Universal dos Direitos Humanos) e ainda, na nossa Lei maior (A Constituição), não é permitido falar ou fazer nada que possa atrapalhar os interesses dos que estão no poder, sob pena de severa resposta em forma de retaliação.
Isso hoje me desabilita por completo a explicar, palestrar ou simplesmente falar sobre o que é democracia.

ESTEVES – Coronel PM RR

22 de fev. de 2009

O PESSOAL E O INSTITUCIONAL.


Muitas vezes nossas ações se confundem entre o pessoal e o Institucional, ou seja, há uma coincidência entre ambos os interesses.
Todavia esta simultaneidade não nos pode tamponar a visão, é mister que saibamos até onde devemos ir e quando parar de modo que o desejo Institucional sobressaia ao pessoal. As vaidades humanas devem ser contidas pelos anseios do coletivo, estes devem ser a prioridade.
É imperioso que o foco não se perca e que, se necessário, saiamos de cena para que o objetivo precípuo seja alcançado.
Nossa existência é uma constante guerra do bem contra o mal, seja no campo físico ou no espiritual. Somos eternos combatentes, que empreendemos batalhas desde a nossa gestação, seja em luta pelo nascimento, do certo pelo errado, por justiça para com alguém ou por dignidade de uma classe, enfim, devemos estar sempre atentos e prontos.
Assim me vejo, sempre alerta e preparado para empreender nova luta ou voltar a confrontos antigos em caso de necessidade.
As armas... bem, estas podem ser um fuzil, uma calibre 40, uma caneta e papel, um teclado ou um microfone que permitam que idéias e ideais se propaguem em busca da honradez aviltada.
É certo: só não haverá mais luta quando não existir mais vida.

ESTEVES – CEL RR.

A VIDA CONTINUA

Há um adágio popular que diz: “O mundo gira e a vida continua”.
Tomo este sábio ditado como um axioma. Indiscutível.
Não podemos nos deixar abater ou parar de viver, quando em uma empreitada, o resultado final não sai da forma como imaginamos, levando-nos a entender que foi um revés.
Os desígnios de Deus são inquestionáveis e nem sempre o que aparenta ser uma derrota o é na realidade, não sabemos o que o criador nos reserva e a nossos algozes.
Depende dos reais objetivos de nossa empreitada, se são justos e honestos, há de se ter paciência e perseverança, pois a justiça divina alcançará nossos detratores e mesmo que não sejamos nós os que empunharão a bandeira da vitória, esta será tremulada por outros que comungam dos mesmos ideais, contra a dissimulada tirania vigente.
Aguardem. Deus é soberano e Justo.

ESTEVES – CEL RR

11 de fev. de 2009

PROMESSAS

Uma Organização seja ela Privada ou Pública, necessita de um planejamento estratégico que lhe permita alcançar seus objetivos com menor desgaste nesta busca.
Inexiste um modelo ideal de sistema organizacional aplicável a qualquer condição de oscilação.
Nos últimos tempos, a ciência vem atualizando sua visão clássica de uma realidade em perfeito equilíbrio para a visão de uma realidade sujeita a perturbações e incertezas, mas que tende naturalmente a retornar ao equilíbrio.
Faço este breve preâmbulo para enfocarmos o momento que a Sociedade Fluminense atravessa.
Vivemos um caos dissimulado com aparência de leves contratempos. Atenção, observem as movimentações em busca do equilíbrio perdido.
Voltaire nos ensinou: “Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las.” Pena que muitos não conseguiram aprender e nos intimidam e nos retalham quando contrariados por opiniões ou mesmo por verdades irrefutáveis.
A verdade nunca se calará para sempre, ela sobrepujará seus algozes e emergirá do silêncio imposto, com a força das águas de um rio em queda livre. Como a mesma frágil água que escorre por entre os dedos da mão, que hoje nos tapa a boca e nos oprime, sufocando-nos com nossas palavras entaladas na garganta.
Se político fosse, faria agora uma promessa, mas não farei, apenas direi que este dia esta mais perto do que eles, que têm consciência que vai acontecer, gostariam.
Nada de promessas, mas sim Esperança e Fé.
ESTEVES – CEL PM RR

29 de dez. de 2008

O QUE SE LEVA?

Durante minha vida profissional fui ouvindo algumas inverdades: “A Policia é meio de vida e não de morte”; “No militarismo o sentimento mais forte é o Espírito de Corpo”; “O Oficial é um instrutor nato e deve zelar pelo preparo físico e mental de seus subordinados”; entre tantas outras, mas talvez a maior mentira que ouvi foi “na PM ninguém vai ficar rico”. A foto abaixo é a prova cabal de tamanha insanidade.







A foto foi tirada no dia vinte e sete de dezembro de dois mil e oito. Nela estão um Tenente e dois Sargentos da ativa, vindo da Baixada e da capital, para me dar um abraço, como sempre fizeram. Existe maior riqueza do que a amizade.
Se não, então eu fiquei rico na PMERJ.
Obrigado a todos aqueles que diariamente me provam que nem todos os axiomas da PMERJ são verdadeiros.


ESTEVES - CEL RR.

6 de dez. de 2008

HISTÓRIA

FOTOS



Abaixo umas poucas fotos históricas que talvez um dia conte uma parte da história pelo lado dos que lutaram contra o poder em prol da dignidade de uma classe.



























É a história. Quem sabe uma história sem fim!
ESTEVES - CORONEL










13 de nov. de 2008

IDEALISMO OU BURRICE

Tantas foram as pessoas que me perguntaram se valeu a pena todo o movimento dos “BARBONOS” (se é que se pode chamar de movimento), que paro e me indago se é realmente tão difícil assim entender a existência de um ideal.
Percebo que algumas dessas pessoas falam com profundo pesar, como se eu tivesse a opção de não estar lá naquela hora, naquele momento histórico.
Chegam a, em lamuria, esboçar comentário que o erro se deu na escolha do lado a ficar, desta forma fazendo uma alusão de que o idealismo está associado a “burrice”.
Não entendo. Acreditam que, estando em consonância com minhas convicções e com minha maneira de encarar a vida, eu poderia agir diferente, ou seja, ignorar meus companheiros de farda de todas as patentes e meu próprio passado.
Claro que um ledo engano. Diametralmente incoerente com minha existência.
Esclarecendo, não me considero um exponencial de inteligência, mas tampouco de burrice, sou apenas um idealista que acredita que se cada um fizer a sua parte, podemos mudar e melhorar o mundo.
Ou então. Quem sabe eu não sou apenas um sonhador idiota!

ESTEVES – CORONEL

24 de out. de 2008

ADOLESCÊNCIA INTERROMPIDA



Confesso que apesar dos meus cinqüenta e um anos de idade é como um adolescente que me sinto. Claro que mentalmente, pois fisicamente é impossível, faltam cabelos, disposição, ar nos pulmões, por outro lado sobram dores nas juntas, na coluna, sonhos e vontades de fazer algo que compense para a sociedade.
Aos dezesseis anos comecei a maratona para me preparar para o concurso de vestibular que eu prestaria no ano seguinte, como não tinha recursos, órfão de pai, não poderia desperdiçar nenhuma chance.
Aos dezessete, aprovado no concurso para Oficial da PMEG, comecei a me preparar psicologicamente para o internato, longe da família, só havia dormido fora de casa uma vez com amigos (uma noite) em São José dos Campos – SP, ou quando passava férias com meus padrinhos (irmã de minha mãe) em Muriqui.
Aos dezoito, já na adaptação da EsFO, vi cair por terra minhas amadas madeixas. É sempre gostei de usar cabelos longos, isso me trouxe alguns contra-tempos na vida da caserna, já que nunca consegui cortar meus cabelos nos mesmos padrões que os demais.
Hoje, passados trinta e quatro anos, retomo minha adolescência, os sonhos de ter em minha casa meus amigos do mundo animal e aqueles que eu conquistei ou que me conquistaram durante esta minha existência, cabelos (os que restaram) longos, dormir quando o sono me alcançar, ver o filme que estiver passando na TV independente da hora, ouvir música no instante que me der vontade e acordar quando os olhos abrirem , sem me preocupar que tenho que sair.
É, minha juventude física eu perdi, mas a minha mental, retomo agora com todo o gás, para vivê-la enquanto o criador me permitir.



ESTEVES - CORONEL

5 de set. de 2008

A TRAMA

Parece incrível que a grande maioria das pessoas não se apercebam do que vêm ocorrendo. Mas é fato.
Há toda uma trama para desacreditar e desmoralizar as Instituições e em contraponto enaltecer pessoas.
Enlameiam a Policia Militar, mas enaltecem o Governador e sua “troop”. Criticam o Exército, mas trabalham a imagem das Dilmas da vida e de sua Excelência.
A PMERJ há muito vêm sendo alvo de ataques sistemáticos de fora para dentro, agora, já saturada esta estratégia, trabalha-se o enfraquecimento interno, com a desmoralização dos Coronéis com oferecimento de cargos, gratificações e perpetuação no poder e, o silencio dos demais Oficiais superiores, através da sugestão de possibilidades de promoções.
Já com o EB, no momento a estratagema é diversa, cuida-se de expor suas feridas, escandalizando qualquer ato que se preste a isso, potencializando-o negativamente, assim como, trazendo a lume qualquer fala dissonante de seus chefes e desta forma desacreditá-los.
Claro que os enaltecidos não raras vezes não são os mentores, mas, marionetes nas mãos dos verdadeiros ardilosos que, nas coxias, trabalham no egocentrismo e na imensa vaidade de seus fantoches.
Os megalômanos não se atem ao fato que são passageiros e que tudo acabará e deles não restará nada, umas raras lembranças de uns poucos abnegados e também manipulados.
Qual o objetivo? Simples: o poder, a dominação, o “vil metal”, a escravidão dissimulada de seus semelhantes.
É importante que pessoas de bem, com clarividência para perceber o que ocorre, se articulem antes que a situação se agrave e se torne irreversível.
A pátria conta com vocês, melhor, precisa da consciência e ação de vocês em defesa desta Nação tão maltratada por seus governantes.

ESTEVES - CORONEL

A IRA

Muitas vezes somos levados por ações egoístas e impensadas de outras pessoas, a alimentar em nosso âmago tamanha raiva que chega a doer. Digo isso porque apesar de não gostar de incrementar este sentimento e de ter sido abençoado por Deus de realmente não mantê-lo vivo dentro de mim por muito tempo, sou humano e por vezes sou surpreendido com a dominação desta ignóbil sensação.
É fato que ninguém em sã consciência vai, intencionalmente, provocar em outrem ira contra si, todavia, ações interesseiras levam a isto.
Bem, hoje me sinto assim, irado com a ação de uma pessoa que me levou, momentaneamente, a paz reinante em meu coração ao mexer com minhas lembranças e tocar em bens não materiais, mas emocionais.
Vivo de recordações, sonhos e esperanças e quando alguém interfere em algum deste de forma a privar-me, traz-me o desconforto da ira, razão pela qual busco, através deste “post”, realizar a catarse que me reporte à normalidade de meu ser.
O que por hora acredito tenha logrado êxito.

ESTEVES - CORONEL

1 de set. de 2008

HOMENAGENS

Gostaria de deixar registrado neste espaço, algumas homenagens feitas a mim, que me deixaram surpresos e emocionado.

www.gustavodealmeida.blogspot.com
Quarta-feira, 13 de Agosto de 2008
A Polícia que se fecha
Os leitores deste blog devem ter estranhado a ausência tão longa. Mas a verdade é que eu quis, além de descansar um pouco, deixar mais tempo no ar a homenagem ao Major Wanderby. Afinal, ele é tema desta minha atual postagem, haja vista que é um dos Inimigos da PM. A PM que a partir de setembro vai fechar de vez o acesso a seu boletim ostensivo, criando um login e uma senha, afinal, os segredos são importantes. Talvez nos futuros boletins (os mesmos que hoje em dia eu já não acesso mais) seja explicado por que dois jogadores do Fluminense esperaram 15 minutos em vão pela polícia depois de serem assaltados na Avenida Brasil. Wanderby, um oficial sério, honesto, que sempre assume o que pensa e fala, que jamais se corrompe, que trabalha com dedicação, e que ama a Briosa, é, certamente, um inimigo da PM.A imprensa inteira é inimiga da PM, curioso, não? A imprensa que denuncia aumentos de 220 % para poucos e de 8% para muitos é inimiga da PM. Amigos da PM? São os oficiais e comandantes que aceitam o policial “como ele é”, com “seus defeitos”, ora. São os oficiais que acham que a farda continua limpa se o praça ou oficial subalterno recolhe um dinheiro da boca-de-fumo ou da banca de bicho. Afinal, quem ganha gratificação, moralmente tem que deixar roubar.Estes, são amigos da PM.Amigo da PM é o gabinete militar do Palácio Guanabara, que requisitou mais 40 policiais para seus quadros.Mais amigos da PM? Empresas farmacêuticas que não precisam participar de licitação. Querem mais amigos? A empresa que fabrica o Guardião, aparelho que faz escutas telefônicas. Não importa que a Lei 9296 autorize apenas as polícias judiciárias a fazerem escutas. Que outros amigos a PM tem? Os policiais militares lotados em delegacias? Os jornalistas submissos? Os jornalistas de duas opiniões, três caras e quatro caráteres?O silêncio, as trevas, o processo de enclausuramento, estes são os grandes amigos da PM. É a PM que manda prender quem tem opinião – que pune o Major Wanderby, que pune tenentes e capitães, que abre IPM contra ex-capitão por causa de opinião dada em rede nacional, que quer investigar a Associação dos Militares Auxiliares e Especialistas (do tenente Melquisedec) porque o mesmo foi irreverente, é, sim, a PM que está mais ocupada em se esconder, em esconder segredos, em punir quem opina ou pensa, sim, muito mais preocupada com a aparência, sem saber que, tal e qual o retrato de Dorian Gray, as rugas e feridas do rosto vão dando a esta velha senhora de 200 anos a aparência de um monstro. De um entulho autoritário que a PM nunca foi, nem mesmo no tempo em que se chamava o governo de entulho autoritário.Inimigo da PM? Talvez o coronel Esteves, que daqui a poucos dias deixa de ser da corporação em função de uma lei criada este ano. Sim, esta é a PM que abre mão de um Esteves. E de dezenas de outros oficiais que só cometeram um crime: querer salário melhor para sua tropa.A PM, esta força de paz, esta força de heróis, de gente que dá o sangue, cada vez mais regredindo a um estado de isolamento, aquele no qual o cidadão apenas cobra, sem nada saber de quem deveria protegê-lo. Sim, a força de paz, que volta e meia faz a guerra, só quer que a deixem em paz. Nunca uma assunção de comando - aquela que aconteceu sem que a imprensa pudesse sequer entrar no quartel-general da PM, um prédio público, do Estado do Rio de Janeiro - foi tão simbólica do que aconteceria depois.
A PM agora tem donos. E infelizmente não somos nós, os cidadãos do Rio de Janeiro.
Postado por Gustavo de Almeida às
01:27
Marcadores: Segurança Pública
Comentários
Otacílio disse...
Antes de tudo, gostaria de lhe parabenizar pelas verdades escritas e aproveitar para pedir os muitos leitores (internos e externos) deste espaço, que reflitam sobre todos os acontecimentos.Você tocou num dos pontos mais elevados dessa discussão. Uma lei (feita nas coxas) pelo indigno Governador para tão somente atingir pessoas que ele achou (através dos seus “assessores”) que seriam os vilões da PMERJ, que são os CORONÉIS ESTEVES e PAUL. Quem os conhecem, especialmente o CORONEL ESTEVES, sabem a pessoa honrada que é, capacitada, honesta, e talvez o seu único erro foi ter brigado pela coletividade, ou melhor, buscado melhor para toda a tropa, colocando o seu próprio cargo a disposição e conseqüentemente, a tão falada gratificação.Será que temos outro coronel que tem essa mesma visão? Colocaria sua “cadeira” a disposição e brigaria por sua tropa? Tenho certeza que vocês devem está respondendo que não.Infelizmente, no final deste mês o CORONEL ESTEVES terá que ir embora da Corporação, mais para aqueles que o verdadeiramente conhecem, sabem que devido a sua capacidade, sua responsabilidade, sua honra e conduta ilibada, não ficará por muito tempo “desempregado”, pois pessoas deste porte, jamais ficam, salvo numa PMERJ onde no governo temos Sérgio Cabral, Pezão, José Beltrame, Gilson Pitta, David.....
13 de Agosto de 2008 10:40

Quarta-feira, 20 de Agosto de 2008
Vento brando
Na sala, depois de um almoço e um café, seis pessoas em volta da mesa. O assunto é inevitável: Polícia e Segurança Pública no Rio de Janeiro. À minha esquerda, o coronel se senta ligeiramente inclinado, de modo a observar seus interlocutores de forma humilde e ao mesmo tempo nunca subserviente. Os cabelos estão comportados – momento raro. Seu olhar é de quem foi tirado do mar antes da hora – o olhar de quem pretendia se afogar e não pôde. Aquela trágica ambigüidade do suicida frustrado, que conjuga alívio por ter-lhe a vida restituída e indignação por ter parado de lutar contra a Dor.Eu não olhava para o coronel, mas sentia sua presença de uma forma diferente. Parecia um coração. Não falo do coração metáfora, e sim da carne pura, como se houvesse ali um coração bombando sangue por todos os lados, uma diástole sem sístole, o fôlego contido das batalhas eternas. Ele fala de forma econômica, com palavras sempre suficientes. Não há excesso de palavras ou lacunas. Todas as frases exprimem exatamente o que ele quer dizer – talvez por isto pareça um coração, que bate porque o corpo está vivo, corpo que está vivo porque o coração bate. Ele fala sobre a conjuntura atual. Acha que querem acabar com a PM. Talvez desmilitarizar. “A Briosa em um segundo plano, deixada de lado até definhar”, diz, com os olhos distantes.O coronel de Polícia Militar quase repete uma frase sobre a falta de amor do governador pela PM. Mas deixa o espaço para que os interlocutores preencham, citando a ele próprio. Não que ele quisesse ser citado. Seu olhar dá a entender que ele nem queria a frase naquela mesa. Como se a frase fosse um convidado obrigatório, mas pouco querido. Ele ainda consegue sorrir. Mas é o sorriso sem definição – só inventaram até hoje a expressão “sono dos justos”, nunca o “sorriso dos justos”. Sim, aquele sorriso sem mostrar dentes ou sem concordância é o sorriso dos justos e de consciência leve. O sorriso dos promovidos por merecimento, dos que nunca roubaram, dos que nunca prevaricaram, dos que comandaram com liderança, e dos que lideraram mesmo sem comando. Apesar de todas essas coisas, o sorriso precede a frase um pouco melancólica:- Daqui a 14 dias eu deixo a PM – diz, lembrando que a nova lei lhe tirou dois anos ainda na ativa. Na mesa, os outros se calam por uns dois ou três segundos, mas a esposa do coronel é quem fala alguma coisa. O luto, todos percebem, não é pelo coronel. É pela própria PM, que o perde de uma forma tão estúpida.É a vida que segue. O coronel se levanta, o corpo magro e firme, o cabelo já se mexe querendo voar para os lados. O coração em carne e sangue parece virar um pássaro livre e frágil. É uma fragilidade apenas aparente, como a de um mangusto imune ao veneno das serpentes, um inimigo das cobras peçonhentas. Se despede dos anfitriões com abraços de amizade. “Esta casa tem açúcar”, diz, com um jeito brejeiro.Ele mora longe, um tanto isolado. Parece preferir assim, na sua inconformada amargura. Os outros convidados o acompanham pelo corredor de saída. O coronel e a esposa olham para plantas na entrada do prédio. O casal tem, sim, com os seres humanos, o zelo de quem sabe cuidar de plantas – aquele cuidado de falar mesmo com quem não tem ouvidos. Foi assim que ele fez durante toda a carreira militar: falou para muitos que jamais tiveram ouvidos.Antes de entrar no carro para ir embora, um vento brando desfaz seus cabelos. Nem parece um militar, com os cabelos meio grisalhos tão rebeldes – uma espécie de parábola anti-conformismo: ser grisalho não implica em ser conformista.Ele se despede com o tom de quem pretende se desligar de tudo. Dá a entender que prefere não saber, para não sentir a dor.Mas dá para notar, pelo cabelo que voa, pelos olhos que choram sem lágrimas, pelo ereto da coluna vertebral, pela batida do coração de carne e sangue: ele continuará lutando, um dia depois do outro.Ele sempre dormiu a luta dos justos, que se chama sonho. Em metáfora.
Postado por Gustavo de Almeida às
11:21
Marcadores: Segurança Pública
Comentários:
Anônimo disse...
Amado Coronel, branda Estrela Guia. Benfazeja liderança dos livres de espírito. Exemplo de Boa Vontade. Esta cidade e todas as nossas Fardas brasileiras somos gratos a você, Gustavo. Irretocável; exata moldura ao desesperador quadro em que estamos, como à véspera de grave tormenta. Deus abençoe o casal, Cel e sra. Maria Angelica Mendes PortugalLagoa, Rio de Janeiro-rj
20 de Agosto de 2008 13:18

Emir Larangeira disse...
Caro Gustavo. Creio saber quem é o coronel do seu belo texto, pura literatura a serviço do jornalismo. E concordo que a saída dele do serviço ativo representa grande perda. Mas a vantagem é que ele, mesmo sem nome no seu texto, é identificado pelo perfil sereno de quem sabe que cumpriu com o seu dever. Mais que isto, como ele é honesto e desprendido, garanto que sai respeitado por todos e amado por muitos, em especial por muitas praças. Mas ele, respirando o ar puro, e ouvindo bater o mar forte, e olhando o mar imenso até se perder no horizonte, ele, o coronel, sabe que não será esquecido. Pelo contrário, será lembrado como exemplo. De repente (oh, caro Gustavo!), ele não mora tão longe assim. Você talvez pense que ele mora longe, mas longe de quê e de quem? Não, meu caro Gustavo, ele está perto e merecerá a admiração da tropa hoje e sempre! A inatividade é mero detalhe no caso dele. A inatividade mata os pusilânimes. Parodiando o mestre Machado de Assis em sua linguagem inigualável, a inatividade mata do coração os "metediços e dobradiços", mata aqueles "sem feito nem feitio". Não matará jamais os que firmaram o nome no rol dos bons e justos. Quer saber, caro Gustavo? Quase que me arrisco a declinar o nome. Mas creio que o dever é seu, e ele merece emergir do anonimato do seu texto para receber os aplausos iluminados dos seus colegas e subordinados. Creia, Gustavo, que ele receberá. Porque antes de tudo ele conquistou o coração da tropa. Eu sei disso!Que seja ele feliz! A inatividade pode parecer o fim, e costuma sê-lo para muitos. Mas para esse coronel ela será o início, se assim ele o desejar.Parabéns pela homenagem!Abraços.Emir
20 de Agosto de 2008 20:34

Anônimo disse...
PREZADO GUSTAVO, COMO O CORONEL EMIR LARANJEIRAS,VOU DEIXAR PARA MAIS TARDE VC MENCIONAR O NOME DO CORONEL QUERIDO POR TODOS, PENSO SER UM DOS CORONEIS MAIS QUERIDO, HUMILDE, HONESTO E DIGNO DE SUA PATENTE,ENTRETANTO VAMOS AGUARDAR SEU PRONUNCIAMENTO.
CHARLES GUERREIRO
20 de Agosto de 2008 21:10

Anônimo disse...
CARO GUSTAVO, NÃO PODEMOS ESPERAR MAIS UMA INJUSTIÇA DOS DONOS DA PMERJ, JÁ TEMOS SAUDADES DO CORONEL ESTEVES. MAS TEM UM DITADO POPULAR QUE FALA: AQUI SE FAZ E AQUI SE PAGA, E MUITAS VEZES MUITO CARO,QUEM RI POR ÚLTIMO RI MELHOR, POIS ELES SERÃO CONHECIDOS PARA SEMPRE COMO OS DESONESTOS. VAMOS ESPERAR, POIS FALTA POUCO, NÃO EXISTE MAL QUE DURE SEMPRE. VIGILANTE ALERTA ENTRE COLUNAS
21 de Agosto de 2008 03:48

www.wanderbymedeiros.blogspot.com
Quarta-feira, Agosto 20, 2008
A partir de amanhã, a PM do RJ ganhará mais um punhado de coronéis...
E perderá, prematuramente e em razão do nefasto projeto de poder do delegado José Mariano Beltrame e da sanha vingativa do governador Sérgio Cabral Filho (PMDB-15), um dos poucos que teve coragem suficiente para sacrificar sua carreira e o conforto de sua família em prol da luta pela melhoria de condições de sua tropa... Em prol de suas convicções.
Amanhã, a sociedade do Rio de Janeiro deixará de contar com UM CORONEL digno e honrado na ativa das fileiras da Polícia Militar!
A partir de amanhã, ficará ainda mais difícil reconstruir o já não muito que resta da Força Pública do RJ!
Ao Sr, Cel de Polícia Hildebrando Quintas Esteves Ferreira,
me alinhando a outra pessoa não menos digna e honrada, presto minha sincera e pessoal (sic) continência!
Comentários:
MSC disse...
PARABÉNS, CEL ESTEVES!TEMOS ORGULHO DE HAVER OMBREADO COM O SENHOR A LUTA POR MELHORIAS SALARIAIS E INSTITUCIONAIS PARA A PMERJ.NÃO SE ABALE, O SR. FEZ A SUA PARTE!A HISTÓRIA IRÁ HONRÁ-LO.JUNTOS SOMOS FORTES!
12:37 PM

Anônimo disse...
saudades desde já do Coronel Esteves, os fracos atacam os honestos, mas Lei divina não tarda e esses fracos e desonestos vão pagar e caro, não falta muito, é só questão de tempo. Deus escreve certo por linhas tortas e quem anda torto e sempre andou, um dia a casa cai e serão sempre lembrados como os desonestos e corruptos. Eu, como homem, não gostaria nunca de ser lembrado como desonesto e corrupto. vigilante entre colunas em alerta
11:53 PM

Anônimo disse...
O homem mais honesto, decente e íntegro com quem trabalhei nesta polícia. Respeitado por todos, exercia a sua autoridade sem ser autoritário. COMANDANTE, (com todas as letras maiúsculas)esse sim, soube representar bem o que é ser isso. A polícia militar perderá muito com a ida para reserva deste senhor por excelência. Um abraço ao meu eterno comandante. O mal não durará para sempre. Eles nunca terão um décimo do respeito que o senhor conquistou nos seus mais de 30 anos prestados para a Instituição. Se por ventura leres estas palavras mal escritas, saibas que são do fundo do coração e como sempre lhe digo, conte comigo para o que precisar. Um abraço ao meu comandante, pai, amigo e irmão. Presto aqui a minha respeitosa CONTINÊNCIA.
5:20 AM

www.verdadepolicial.blogsome.com
MOSTRANDO A VERDADE!!
Eu ganhei, eles perderam… A vitória do justo.
Os governantes sempre arrumam uma forma de proteger os seus e golpear os que vão de encontro aos seus princípios “éticos”. Por exemplo: o governo dos “GAROTINHOS” queria passar de 06 para 10 anos, o tempo de permanência dos coronéis na ativa para agradar os seus apadrinhados no poder (não conseguiu). Hoje com a navalha voltando-se contra as suas carnes, imaginem se tivessem conseguido. Já este governo de Sérgio Cabral e José Beltrame, com uma sede de vingança e manutenção do poder, passou de 06 para 04 anos a permanência dos coronéis na ativa. Tudo isso porque, simplesmente, foi questionada a maneira de tratar a Policia Militar do Estado do Rio de Janeiro.
A Polícia Militar deixará de contar hoje na sua fileira ativa, com um coronel DECENTE, HONRADO, DIGNO e JUSTO, Hildebrando Quintas Esteves Ferreira. Um comandante por excelência, respeitado, querido por todos e porque não dizer amado (pouquíssimos conseguem isso na tropa). Tive a honra de ser seu comandado e posso dizer isso para todos que me perguntam - quem é o Coronel Esteves?
Coronel Esteves a vitória é sua! Porque essa corja teve que mudar a lei para tentar atingi-lo e sinceramente não conseguiu. Não é a sua imagem que está denegrida perante a tropa, e pode ter certeza que no momento de despedida desses traidores, não haverá uma palavra de conforto para eles, nem mesmo daqueles que os subornaram. Sairão pela porta dos fundos da corporação e terão o tratamento que merecem. Não desanime, e mantenha-se firme em seu propósito, pois a verdade incomoda a escória e a faz cometer insanidades. O senhor é um COMANDANTE legítimo.
Um abraço ao meu eterno comandante.
POSTED BY Administrator ON
08.22.08 @ 6:51 pm 0 Comments

ESTEVES - CORONEL


13 de ago. de 2008

MOSTRANDO A VERDADE

Resposta ao Administrador do Blog Verdade Policial sobre o artigo Mostrando a Verdade
Caro Administrador do blog “Verdade Policial”.
Antes de tudo, parabéns pelo post:
Mostrando a Verdade - Cabral tenta explicar o inexplicável!!!, uma peça bem articulada e que retrata com linguajar claro a dura realidade, descortinando as entrelinhas do poder.
Lisonjeia-me a preocupação com os “Barbonos”, alvo da sórdida manipulação de inescrupulosas autoridades que, ante a exposição de suas nefastas ações, buscam imputar sua autoria a outrem, desfocando-a do verdadeiro algoz.
Temos continuado a luta em prol do justo reconhecimento ao Policial Militar pela sua essencial contribuição para a Sociedade, todavia o nobre administrador há de reconhecer ser um embate inglório, pois pelos poderosos, somos injustiçados e enlameados com o intento de nos desmoralizar e deste modo nos enfraquecer e pelos nossos companheiros, desacreditados por sermos Coronéis, isso mesmo, um paradoxo, pois de um Coronel se espera liderança, comandamento, honra e que diante das vicissitudes, assuma as “rédeas” das reivindicações, mas quando o fizemos fomos repudiados, ofendidos, desconceituados e igualados àqueles que traíram seus juramentos, o que jamais fizemos.
O conforto que temos é a consciência tranqüila de que “combatemos o bom combate”, que procuramos dar o melhor de nós em prol do nosso contingente e o fato de que algumas pessoas, como o autor do “post”, percebam a diferença, nos compreendam e, mesmo que anonimamente, nos valorizem como profissionais que mantiveram a coerência profissional nos mais de trinta anos de serviço.
Ocorreram erros decorrentes de nossas limitações pessoais e de nossa inexperiência na luta contra inimigos calejados na arte de manipular opiniões e de “conquistar” adeptos no seio do adversário. Oponentes que se utilizaram de armas que não dispomos e se aproveitaram dos escrúpulos que sabiam sermos possuidores e pelos quais conseguiriam nos frear, como de fato ocorreu.
Sabemos que ainda não acabou que, apesar da saúde debilitada, enfraquecidos pela dificuldade em nos fazer ouvir, da incredibilidade de nossas praças em Coronéis, das novas injurias que ainda poderemos vir a sofrer, mesmo com esses óbices, continuaremos na busca da justa e necessária melhoria das condições de trabalho e do reconhecimento profissional para o POLICIAL MILITAR.
Por derradeiro, ratifico minha lisonja e hipoteco meus agradecimentos pela preocupação, acreditando que, apesar de não possuir procuração, seja este o sentimento dos demais "BARBONOS" restantes.

ESTEVES – Coronel da PMERJ.

4 de ago. de 2008

"CORONÉIS BARBONOS"

Causa debet praecedere effectum.
(Não há efeito sem causa)
AO POVO DO RIO DE JANEIRO:Cerca de um ano atrás, com a finalidade de resgatar a cidadania, a dignidade pessoal e profissional dos integrantes da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, bem como reduzir dificuldades na área de segurança pública mediante propostas de ações governamentais, um grupo de integrantes da Polícia Militar do último posto da Corporação, denominados “Coronéis Barbonos”, travejado na experiência profissional adquirida ao longo de mais de trinta anos de serviço, elaborou manifesto denominado “Pro lege vigilanda” (Para a vigilância da lei) de cunho estritamente institucional, contendo as principais e urgentes necessidades da Corporação e de seus Componentes.
O documento discorria sobre doze tópicos, consolidados nos princípios de valorização do servidor público policial militar, profissionalização, racionalização de recursos e fortalecimento institucional, todos exeqüíveis e extremamente essenciais para a implementação de um projeto de segurança pública concreto e viável, tanto que, alçado à análise do Chefe do Executivo Estadual, teve pronto assentimento, por entender que por aquelas doze proposições passava a recuperação da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, órgão responsável pela polícia administrativa da ordem pública no ordenamento constitucional e infraconstitucional vigentes.
Naquele instante já alertávamos para o fato de que a funcionalidade e operacionalidade do sistema policial, sempre jogadas para um plano secundário, achavam-se agonizantes; que os estertores de uma Corporação subjugada e sem brio se faria ouvir na sociedade, preliminarmente levando às comunidades carentes o terror de uma política de segurança sem os requisitos mínimos de inteligência e alicerçada unicamente no belicismo descabido, posteriormente impondo às demais camadas da sociedade o medo, a desconfiança e o luto pelos muitos filhos sacrificados em razão do despreparo e da pressão funcional e emocional a que são submetidos os profissionais de segurança.
Urgia uma radical mudança de postura na condução da política de segurança pública, pois é fato que a que hoje está em prática, a qual já se arrasta por muitos anos e desgovernos não atende aos anseios da população, tampouco traduz as aspirações da sofrida família policial-militar, ao menos a majoritária parcela de abnegados preocupados em servir e proteger, já que além de nossas reputações maculadas pela desconfiança da população e pelo contínuo achincalhamento promovido pelos meios de comunicação - não sem razão, admita-se – também nos vemos vítimas e reféns do atual estado de barbárie em que vivemos.
Estamos certos de que, ao contrário do que indica a desconstrução da imagem institucional mediante a série de gravosos e lamentáveis fatos envolvendo policiais-militares com toda sorte de crimes, ainda não chegamos ao fundo do poço, mas tal não tardará, pois quando o cidadão deixa de ter o Estado como seu protetor e passa a vê-lo como algoz, quando a desconfiança impera, quando os agentes da lei sentem-se sem credibilidade e incapazes de mudar o estado de coisas que os afligem, as conseqüências tendem a revelar um quadro de completo caos social, que somente o desprendimento de um governo inteiramente voltado para a coisa pública e avesso a picuinhas e jogadas de bastidores daqueles que querem prolongar o statu quo pode reverter.
Quando de nosso manifesto, fomos afastados e defenestrados da Corporação, como se nosso posicionamento fosse contrário ao interesse social e institucional, mas tal injustiça não esmoreceu nossa crença de que é preciso mudar radicalmente alguns conceitos, que as proposições por nós outrora firmadas são essenciais para a retomada do caminho da ordem pública, bem como sabemos que determinadas medidas irão requerer tempo para que logrem seus objetivos, enquanto que outras terão efeito imediato; da mesma forma é certo que algumas exigirão um esforço contínuo do governo, mediante planejamento e previsões orçamentárias, já outras se realizarão mediante simples ato do executivo, entretanto, todas necessitam de uma ação única e imediata, para que não se perca mais tempo.
Esclareça-se que sempre estivemos e estamos à disposição do Estado do Rio de Janeiro e de sua população, colocando nossa larga experiência a seu serviço.
Nosso manifesto, longe de configurar um ato de rebeldia ou de insubordinação, foi um grito de alerta e teve o caráter de rever conceitos defasados e garantir melhor contraprestação de serviços para o povo fluminense, o que é nossa missão.
Não podíamos ser subservientes e estéreis, pois nunca agimos assim ao longo dos nossos mais de trinta anos de carreira policial-militar.
O quadro atual demonstra que não estávamos errados.

HILDEBRANDO QUINTAS ESTEVES FERREIRA
CORONEL DE POLÍCIA
PAULO RICARDO PAÚL
CORONEL DE POLÍCIA
LEONARDO PASSOS MOREIRA
CORONEL DE POLÍCIA
FRANCISCO CARLOS VIVAS
CORONEL DE POLÍCIA
RONALDO ANTÔNIO DE MENEZES
CORONEL DE POLÍCIA".

28 de jul. de 2008

A FORMIGA

EM SILÊNCIO E COLETIVAMENTE

Os primeiros momentos após a queda do Comandante Geral, quando os ânimos estavam exacerbados, davam sinal que eclodiria uma libertação da PMERJ da opressão política que a aprisiona e a deteriora há muitos anos. Todavia, hoje nota-se que nada mudou. Os integrantes da briosa se digladiam através de insultos e ofensas anônimas, talvez alimentados pelos ardilosos no poder que manipulam as informações e as distorcem a seu bel-prazer, de modo a não permitir o entendimento e a união que lhes traria, certamente, ameaça a seus propósitos, atuando de forma vil na vaidade de alguns.
Diante deste quadro a desesperança tomaria acento, entretanto, mesmo sempre atacados por inimigos e por amigos manipulados por meias verdades, os Barbonos mantiveram um foco de resistência ao jugo. Enfraquecidos mantiveram incandescente seus corações na luta por uma PMERJ melhor para todos os seus integrantes, sem distinção.
Juntaram-se a outros idealistas na busca de um Movimento de Polícia Cidadã onde esta é composta por cidadãos completos, já que o policial militar é visto e tratado como “meio cidadão”. Agora esquecidos, continuam a luta anonimamente em prol de melhorias para os que ainda permanecem na atividade profissional, já que eles, após colocarem seus cargos a disposição enquanto não se fizesse algo em benefício da Instituição, foram afastados e isolados como se leprosos fossem.
Ainda lutam, mesmo atacados pelo velho jargão: Os “Coronéis só querem o poder, dar ordem e polpudas gratificações...”, pois é, eles abriram mão de tudo isto para lutar por muitos, para honrar um juramento que fizeram com tenra idade na EsFO, ainda que alguns destes muitos os ataquem e os insultem sem conhecê-los, pela certeza do jargão estereotipado.
Lutam, surdos aos ataques daqueles que serão beneficiados, caso logrem êxito, por aqueles que gritam e esbravejam, anonimamente, mas que, aguardam o desfecho para reclamar ou usufruir até que se reinicie novas reclamações. É do ser humano, não há como mudar, a não ser acreditar que se deve tentar e eles estão tentando. Como formigas, trabalham coletivamente e em silêncio.

ESTEVES – CORONEL DA PMERJ

11 de jul. de 2008

DESPREPARADO

DESPREPARADO? QUEM?
Estou cansado de ouvir as autoridades tentando justificar um erro com a alegação do despreparo do Policial.
Primeiramente há de se responder algumas perguntas: 1 - Quem está despreparado, o homem na ponta da linha ou quem o mandou pra lá, mesmo estando ciente de suas limitações?
2 – Despreparado para que? Se observarmos, o PM recebe orientações para o patrulhamento a pé, de como agir ao abordar um carro suspeito, um “elemento” suspeito, etc, depois é lançado numa viatura, numa escala desumana, vê seus colegas serem elogiados, serem premiados com pecúnia e folgas de serviço por matarem marginais da Lei, enquanto a prevenção, imensurável, é relegada a segundo plano. Ainda a este jovem, nos píncaros do estresse, é cobrado produtividade, como se uma força policial fosse igual a uma fábrica, onde o produto final é material.
“Quantas armas você apreendeu? Quantos marginais matou? Quantos traficantes e quanta droga você conseguiu pegar?” Diante desta diária cobrança que é feita ao PM a pergunta é, Será que ele realmente não está preparado para fazer o que as autoridades esperam, ou são estas autoridades que estão despreparadas e conduzem o policial a este tipo de ação e depois o abandonam a própria sorte por ter “executado” a pessoa errada.
Vamos refletir: É esse risco que queremos? Nossos entes sob a mira constante de homens preparados para matar ou morrer? Se não, está na hora de mudar. De exigir, aos que pusemos no poder para gerenciar o nosso Estado em benefício do povo, que se adéqüem a realidade do que desejamos para o futuro.

ESTEVES - CORONEL

O DESCOMANDO

O DESCOMANDO

Um oficial precisa de sua tropa treinada, segura de si e, principalmente, confiante em seu comandante para poder desempenhar suas missões exitosamente, mas, por outro lado, há uma interdependência, ou seja, a tropa precisa de um comandante que lhe inspire confiança, que lhe oriente e lhe diga o que e como fazer, resumindo, de um comandante que comande.
Parece pleonasmo, mas não é, existe comandante e COMANDANTE, a diferença se vê, principalmente, no resultado.
Aquele que está à frente de um contingente e que, apesar da legalidade, não possui junto aos comandados a legitimidade para tal, executa com muito mais esforço sua missão. As ordens que normalmente se concretizam com naturalidade, neste caso ocorrem com dificuldade e pesar, pois os subordinados se sentem inseguros e fragilizados, gerando mais um fator de estresse.
Porque digo isso? Ora o quadro dantesco da Segurança Pública do nosso estado, além de envergonhar-me como profissional, leva-me a reflexão e a projeção de um futuro mais nefasto, desta feita, minha lucidez se torna prejudicial, pois, como sou cliente desta “segurança”, me conduz ao pânico.
Os fatos estão aí para quem tiver dificuldade em ver.
Medidas, não muito complexas nem tampouco radicais, têm que ser tomadas de imediato. Antes da instauração de um estado de sítio em que o homem de bem será penalizado por tal comportamento.

CORONEL ESTEVES

26 de jun. de 2008

ANIVERSÁRIO

CARTA DOS BARBONOS



A exposição dos problemas existentes na policia, já há muito vem sendo feita por pesquisadores e estudiosos da segurança sem que se consiga o devido eco na sociedade. O exemplo disso é que nos idos de 70, Virgilio Luiz Donnici, em seu livro: “A Criminalidade no Brasil: meio milênio de repressão” já elencava quatorze itens que, baseado em seus estudos, necessitavam urgente reformulação para a melhoria da Policia, dentre os quais sito:
1 – “Salários insuficientes e baixos;
2 – Ausência de uma profissionalização policial porque hoje o policial tem a Polícia como bico;
3 – Ausência de uma deontologia policial;
4 – Ausência de condições para o trabalho policial; dentre outras.

Recordando o que já foi dito por muitos, em face da importância de não permitir que caia no esquecimento, mesmo sob o risco de tornar-me chato e enfadonho, sigo reportando-me ao dia 03 de julho de 2007, quando surgia na mídia um grupo de Coronéis denominados Coronéis Barbonos que, através da Carta dos Barbonos, denominada “PRO LEGE VIGILANDA” (Para a Vigilância da Lei), elencavam doze itens que os mesmos julgavam necessário reformular para melhorar a Policia Militar e o serviço por ela prestado .
Neste histórico documento, encaminhado ao Comandante Geral da PMERJ, Secretário Estadual de Segurança Pública da época e Governador do Estado, além é claro, da Sociedade civil através da mídia, o grupo de Coronéis buscava levar às autoridades os problemas que mais afligiam a Corporação naquele momento, com o fito de melhorar a qualidade do serviço prestado pela Polícia e como conseqüência a melhoria no atendimento a comunidade e a otimização da Segurança Pública de nosso Estado.
A Carta dos Barbonos com seus doze itens, como se vê, não trazia novidade em seu conteúdo, pois cientistas sociais, pesquisadores e estudiosos já apresentavam os óbices. Não, não era a exposição dos problemas a inovação, mas o fato de tal exposição ter sido feito por integrantes do aparelho policial, na busca de melhorar a qualidade de vida dos profissionais e conseqüentes aperfeiçoamentos na assistência ao cidadão.
Iniciava-se uma nova era, onde profissionais vivenciando os transtornos ao exercício, corajosamente apresentavam às autoridades e ao público, suas dificuldades, na tentativa de encontrar apoio para solucioná-las.
Esboçavam um protótipo de “Política de Segurança Pública”.
O resultado deste embrionário projeto: exonerações, perseguições políticas, tentativa de desmoralização alcunhando-os de traidores da Instituição. Isso mesmo, os que abriram mão de tudo em prol do que julgavam melhor para a PMERJ foram, pelos que se assenhorearam do poder e das gratificações, hostilizados e taxados de inimigos da Corporação.
Valores subjugados e corrompidos. Dura realidade.
Um ano decorrido e a sociedade ainda aquiesce esta inversão. Acolhe, por omissão, a Insegurança Pública reinante em nosso Estado.
Está na hora de cobrar do Estado, tudo o que vem sendo muito bem pago pelos contribuintes, através de inúmeros e altíssimos impostos e lembrar que, portanto, não estariam fazendo favor e sim cumprindo com sua obrigação; esta na hora de exercer a cidadania tão decantada e não praticada. Quando a sociedade entender a necessidade da cobrança do que lhe é direito, não importando o “fenômeno” de ainda haver o cidadão que não tenha sido alvo dessa violência deflagrada em nosso Estado, então caminharemos para frente e não veremos os demais Estados da Federação evoluindo enquanto nós nem mais estacionados estamos, mas sim, indo de marcha à ré, ladeira abaixo.


CORONEL ESTEVES

8 de jun. de 2008

SEGURANÇA

O CLIMA

No Rio de Janeiro, não somente na capital, mas principalmente, o povo com sua inconteste sabedoria acerta em cheio quando diz: “a maré não está pra peixe”.
A vida neste estado é digna de um filme de “Indiana Jones”, pura adrenalina. A cada dia que se consegue sobreviver ou mesmo passar ileso diante dos diversos tipos de violência a que estamos expostos, é uma vitória a ser comemorada.
Raras são as famílias que ao término de uma semana não tem alguma história para contar sobre uma agressão que algum dos seus integrantes ou assemelhados foi alvo. Retrato do descaso e do abandono de que são vítimas os residentes deste tão belo Estado.
A não existência de uma Política de Segurança tangível e compreensível, sem sombra de dúvidas contribui para o crescimento do medo na população ordeira, que aprende a conviver com isso da mesma forma que se torna mais crédula dos desídeos de Deus, pois tem consciência que só o criador poderá salva-la.
É bem verdade que a culpa não é única e exclusiva dos atuais administradores do nosso amado Estado, a coisa vem se arrastando e piorando há décadas, todavia o questionamento se faz:
O que estão fazendo para mudar este quadro?
Ou pelo menos estancar o descalabro ora instalado?
Sabiam das dificuldades que iriam enfrentar ao se candidatarem e mesmo assim prometeram dar um basta ou pelo menos dar os primeiros passos para tal. Ainda não o fizeram. Enfiam os pés pelas mãos neste mistér.O povo está certo, a continuar assim, “só deus pode nos salvar".
CEL ESTEVES

9 de abr. de 2008

PSICOSE

Conto contumaz contando como contar contas.
Interessante esta frase sem “pé nem cabeça” que me veio a mente da mesma forma, qual seja, sem explicação de porquê.
Paro e penso quantas vezes parei de repente e me vi balbuciando palavras, frases ou orações sem entender bem a razão, pensando ou acreditando já ter vivido um momento quando este está acontecendo.
Sem me apegar a qualquer explicação teológica busco entender o que ocorre.
Aqueles que me conhecem podem vir a dizer que estou em divagações antropológicas, mas talvez aqueles que me conheçam bem digam que estou surtando.
Nada disso, é que procuro entender o que nos leva a tomar algumas atitudes que sabemos irá nos prejudicar, o que não desejamos, mas mesmo assim seguimos em frente por acreditar ser o certo.
Outras tantas deixamos de fazer algo que queremos, que nos daria prazer, que temos certeza nos premiaria com momentos de regozijo e felicidade por receio ou por acreditar que existam sinais que nos indicam não ser o caminho devido, culminando a nos afastar da alegria e nos conduzir a dor.
Que mistérios povoam a mente e o coração dos homens ditos racionais?
Que maldição à razão, que impele um ser a caminhar de encontro ao sofrimento?
São os demais animais irracionais?
Eles sonham, vivem e lutam por aquilo que acreditam e querem, sem preconceitos, sem rancores, sem frustrações por não tentarem ser felizes.

CORONEL ESTEVES