1 de set. de 2008

HOMENAGENS

Gostaria de deixar registrado neste espaço, algumas homenagens feitas a mim, que me deixaram surpresos e emocionado.

www.gustavodealmeida.blogspot.com
Quarta-feira, 13 de Agosto de 2008
A Polícia que se fecha
Os leitores deste blog devem ter estranhado a ausência tão longa. Mas a verdade é que eu quis, além de descansar um pouco, deixar mais tempo no ar a homenagem ao Major Wanderby. Afinal, ele é tema desta minha atual postagem, haja vista que é um dos Inimigos da PM. A PM que a partir de setembro vai fechar de vez o acesso a seu boletim ostensivo, criando um login e uma senha, afinal, os segredos são importantes. Talvez nos futuros boletins (os mesmos que hoje em dia eu já não acesso mais) seja explicado por que dois jogadores do Fluminense esperaram 15 minutos em vão pela polícia depois de serem assaltados na Avenida Brasil. Wanderby, um oficial sério, honesto, que sempre assume o que pensa e fala, que jamais se corrompe, que trabalha com dedicação, e que ama a Briosa, é, certamente, um inimigo da PM.A imprensa inteira é inimiga da PM, curioso, não? A imprensa que denuncia aumentos de 220 % para poucos e de 8% para muitos é inimiga da PM. Amigos da PM? São os oficiais e comandantes que aceitam o policial “como ele é”, com “seus defeitos”, ora. São os oficiais que acham que a farda continua limpa se o praça ou oficial subalterno recolhe um dinheiro da boca-de-fumo ou da banca de bicho. Afinal, quem ganha gratificação, moralmente tem que deixar roubar.Estes, são amigos da PM.Amigo da PM é o gabinete militar do Palácio Guanabara, que requisitou mais 40 policiais para seus quadros.Mais amigos da PM? Empresas farmacêuticas que não precisam participar de licitação. Querem mais amigos? A empresa que fabrica o Guardião, aparelho que faz escutas telefônicas. Não importa que a Lei 9296 autorize apenas as polícias judiciárias a fazerem escutas. Que outros amigos a PM tem? Os policiais militares lotados em delegacias? Os jornalistas submissos? Os jornalistas de duas opiniões, três caras e quatro caráteres?O silêncio, as trevas, o processo de enclausuramento, estes são os grandes amigos da PM. É a PM que manda prender quem tem opinião – que pune o Major Wanderby, que pune tenentes e capitães, que abre IPM contra ex-capitão por causa de opinião dada em rede nacional, que quer investigar a Associação dos Militares Auxiliares e Especialistas (do tenente Melquisedec) porque o mesmo foi irreverente, é, sim, a PM que está mais ocupada em se esconder, em esconder segredos, em punir quem opina ou pensa, sim, muito mais preocupada com a aparência, sem saber que, tal e qual o retrato de Dorian Gray, as rugas e feridas do rosto vão dando a esta velha senhora de 200 anos a aparência de um monstro. De um entulho autoritário que a PM nunca foi, nem mesmo no tempo em que se chamava o governo de entulho autoritário.Inimigo da PM? Talvez o coronel Esteves, que daqui a poucos dias deixa de ser da corporação em função de uma lei criada este ano. Sim, esta é a PM que abre mão de um Esteves. E de dezenas de outros oficiais que só cometeram um crime: querer salário melhor para sua tropa.A PM, esta força de paz, esta força de heróis, de gente que dá o sangue, cada vez mais regredindo a um estado de isolamento, aquele no qual o cidadão apenas cobra, sem nada saber de quem deveria protegê-lo. Sim, a força de paz, que volta e meia faz a guerra, só quer que a deixem em paz. Nunca uma assunção de comando - aquela que aconteceu sem que a imprensa pudesse sequer entrar no quartel-general da PM, um prédio público, do Estado do Rio de Janeiro - foi tão simbólica do que aconteceria depois.
A PM agora tem donos. E infelizmente não somos nós, os cidadãos do Rio de Janeiro.
Postado por Gustavo de Almeida às
01:27
Marcadores: Segurança Pública
Comentários
Otacílio disse...
Antes de tudo, gostaria de lhe parabenizar pelas verdades escritas e aproveitar para pedir os muitos leitores (internos e externos) deste espaço, que reflitam sobre todos os acontecimentos.Você tocou num dos pontos mais elevados dessa discussão. Uma lei (feita nas coxas) pelo indigno Governador para tão somente atingir pessoas que ele achou (através dos seus “assessores”) que seriam os vilões da PMERJ, que são os CORONÉIS ESTEVES e PAUL. Quem os conhecem, especialmente o CORONEL ESTEVES, sabem a pessoa honrada que é, capacitada, honesta, e talvez o seu único erro foi ter brigado pela coletividade, ou melhor, buscado melhor para toda a tropa, colocando o seu próprio cargo a disposição e conseqüentemente, a tão falada gratificação.Será que temos outro coronel que tem essa mesma visão? Colocaria sua “cadeira” a disposição e brigaria por sua tropa? Tenho certeza que vocês devem está respondendo que não.Infelizmente, no final deste mês o CORONEL ESTEVES terá que ir embora da Corporação, mais para aqueles que o verdadeiramente conhecem, sabem que devido a sua capacidade, sua responsabilidade, sua honra e conduta ilibada, não ficará por muito tempo “desempregado”, pois pessoas deste porte, jamais ficam, salvo numa PMERJ onde no governo temos Sérgio Cabral, Pezão, José Beltrame, Gilson Pitta, David.....
13 de Agosto de 2008 10:40

Quarta-feira, 20 de Agosto de 2008
Vento brando
Na sala, depois de um almoço e um café, seis pessoas em volta da mesa. O assunto é inevitável: Polícia e Segurança Pública no Rio de Janeiro. À minha esquerda, o coronel se senta ligeiramente inclinado, de modo a observar seus interlocutores de forma humilde e ao mesmo tempo nunca subserviente. Os cabelos estão comportados – momento raro. Seu olhar é de quem foi tirado do mar antes da hora – o olhar de quem pretendia se afogar e não pôde. Aquela trágica ambigüidade do suicida frustrado, que conjuga alívio por ter-lhe a vida restituída e indignação por ter parado de lutar contra a Dor.Eu não olhava para o coronel, mas sentia sua presença de uma forma diferente. Parecia um coração. Não falo do coração metáfora, e sim da carne pura, como se houvesse ali um coração bombando sangue por todos os lados, uma diástole sem sístole, o fôlego contido das batalhas eternas. Ele fala de forma econômica, com palavras sempre suficientes. Não há excesso de palavras ou lacunas. Todas as frases exprimem exatamente o que ele quer dizer – talvez por isto pareça um coração, que bate porque o corpo está vivo, corpo que está vivo porque o coração bate. Ele fala sobre a conjuntura atual. Acha que querem acabar com a PM. Talvez desmilitarizar. “A Briosa em um segundo plano, deixada de lado até definhar”, diz, com os olhos distantes.O coronel de Polícia Militar quase repete uma frase sobre a falta de amor do governador pela PM. Mas deixa o espaço para que os interlocutores preencham, citando a ele próprio. Não que ele quisesse ser citado. Seu olhar dá a entender que ele nem queria a frase naquela mesa. Como se a frase fosse um convidado obrigatório, mas pouco querido. Ele ainda consegue sorrir. Mas é o sorriso sem definição – só inventaram até hoje a expressão “sono dos justos”, nunca o “sorriso dos justos”. Sim, aquele sorriso sem mostrar dentes ou sem concordância é o sorriso dos justos e de consciência leve. O sorriso dos promovidos por merecimento, dos que nunca roubaram, dos que nunca prevaricaram, dos que comandaram com liderança, e dos que lideraram mesmo sem comando. Apesar de todas essas coisas, o sorriso precede a frase um pouco melancólica:- Daqui a 14 dias eu deixo a PM – diz, lembrando que a nova lei lhe tirou dois anos ainda na ativa. Na mesa, os outros se calam por uns dois ou três segundos, mas a esposa do coronel é quem fala alguma coisa. O luto, todos percebem, não é pelo coronel. É pela própria PM, que o perde de uma forma tão estúpida.É a vida que segue. O coronel se levanta, o corpo magro e firme, o cabelo já se mexe querendo voar para os lados. O coração em carne e sangue parece virar um pássaro livre e frágil. É uma fragilidade apenas aparente, como a de um mangusto imune ao veneno das serpentes, um inimigo das cobras peçonhentas. Se despede dos anfitriões com abraços de amizade. “Esta casa tem açúcar”, diz, com um jeito brejeiro.Ele mora longe, um tanto isolado. Parece preferir assim, na sua inconformada amargura. Os outros convidados o acompanham pelo corredor de saída. O coronel e a esposa olham para plantas na entrada do prédio. O casal tem, sim, com os seres humanos, o zelo de quem sabe cuidar de plantas – aquele cuidado de falar mesmo com quem não tem ouvidos. Foi assim que ele fez durante toda a carreira militar: falou para muitos que jamais tiveram ouvidos.Antes de entrar no carro para ir embora, um vento brando desfaz seus cabelos. Nem parece um militar, com os cabelos meio grisalhos tão rebeldes – uma espécie de parábola anti-conformismo: ser grisalho não implica em ser conformista.Ele se despede com o tom de quem pretende se desligar de tudo. Dá a entender que prefere não saber, para não sentir a dor.Mas dá para notar, pelo cabelo que voa, pelos olhos que choram sem lágrimas, pelo ereto da coluna vertebral, pela batida do coração de carne e sangue: ele continuará lutando, um dia depois do outro.Ele sempre dormiu a luta dos justos, que se chama sonho. Em metáfora.
Postado por Gustavo de Almeida às
11:21
Marcadores: Segurança Pública
Comentários:
Anônimo disse...
Amado Coronel, branda Estrela Guia. Benfazeja liderança dos livres de espírito. Exemplo de Boa Vontade. Esta cidade e todas as nossas Fardas brasileiras somos gratos a você, Gustavo. Irretocável; exata moldura ao desesperador quadro em que estamos, como à véspera de grave tormenta. Deus abençoe o casal, Cel e sra. Maria Angelica Mendes PortugalLagoa, Rio de Janeiro-rj
20 de Agosto de 2008 13:18

Emir Larangeira disse...
Caro Gustavo. Creio saber quem é o coronel do seu belo texto, pura literatura a serviço do jornalismo. E concordo que a saída dele do serviço ativo representa grande perda. Mas a vantagem é que ele, mesmo sem nome no seu texto, é identificado pelo perfil sereno de quem sabe que cumpriu com o seu dever. Mais que isto, como ele é honesto e desprendido, garanto que sai respeitado por todos e amado por muitos, em especial por muitas praças. Mas ele, respirando o ar puro, e ouvindo bater o mar forte, e olhando o mar imenso até se perder no horizonte, ele, o coronel, sabe que não será esquecido. Pelo contrário, será lembrado como exemplo. De repente (oh, caro Gustavo!), ele não mora tão longe assim. Você talvez pense que ele mora longe, mas longe de quê e de quem? Não, meu caro Gustavo, ele está perto e merecerá a admiração da tropa hoje e sempre! A inatividade é mero detalhe no caso dele. A inatividade mata os pusilânimes. Parodiando o mestre Machado de Assis em sua linguagem inigualável, a inatividade mata do coração os "metediços e dobradiços", mata aqueles "sem feito nem feitio". Não matará jamais os que firmaram o nome no rol dos bons e justos. Quer saber, caro Gustavo? Quase que me arrisco a declinar o nome. Mas creio que o dever é seu, e ele merece emergir do anonimato do seu texto para receber os aplausos iluminados dos seus colegas e subordinados. Creia, Gustavo, que ele receberá. Porque antes de tudo ele conquistou o coração da tropa. Eu sei disso!Que seja ele feliz! A inatividade pode parecer o fim, e costuma sê-lo para muitos. Mas para esse coronel ela será o início, se assim ele o desejar.Parabéns pela homenagem!Abraços.Emir
20 de Agosto de 2008 20:34

Anônimo disse...
PREZADO GUSTAVO, COMO O CORONEL EMIR LARANJEIRAS,VOU DEIXAR PARA MAIS TARDE VC MENCIONAR O NOME DO CORONEL QUERIDO POR TODOS, PENSO SER UM DOS CORONEIS MAIS QUERIDO, HUMILDE, HONESTO E DIGNO DE SUA PATENTE,ENTRETANTO VAMOS AGUARDAR SEU PRONUNCIAMENTO.
CHARLES GUERREIRO
20 de Agosto de 2008 21:10

Anônimo disse...
CARO GUSTAVO, NÃO PODEMOS ESPERAR MAIS UMA INJUSTIÇA DOS DONOS DA PMERJ, JÁ TEMOS SAUDADES DO CORONEL ESTEVES. MAS TEM UM DITADO POPULAR QUE FALA: AQUI SE FAZ E AQUI SE PAGA, E MUITAS VEZES MUITO CARO,QUEM RI POR ÚLTIMO RI MELHOR, POIS ELES SERÃO CONHECIDOS PARA SEMPRE COMO OS DESONESTOS. VAMOS ESPERAR, POIS FALTA POUCO, NÃO EXISTE MAL QUE DURE SEMPRE. VIGILANTE ALERTA ENTRE COLUNAS
21 de Agosto de 2008 03:48

www.wanderbymedeiros.blogspot.com
Quarta-feira, Agosto 20, 2008
A partir de amanhã, a PM do RJ ganhará mais um punhado de coronéis...
E perderá, prematuramente e em razão do nefasto projeto de poder do delegado José Mariano Beltrame e da sanha vingativa do governador Sérgio Cabral Filho (PMDB-15), um dos poucos que teve coragem suficiente para sacrificar sua carreira e o conforto de sua família em prol da luta pela melhoria de condições de sua tropa... Em prol de suas convicções.
Amanhã, a sociedade do Rio de Janeiro deixará de contar com UM CORONEL digno e honrado na ativa das fileiras da Polícia Militar!
A partir de amanhã, ficará ainda mais difícil reconstruir o já não muito que resta da Força Pública do RJ!
Ao Sr, Cel de Polícia Hildebrando Quintas Esteves Ferreira,
me alinhando a outra pessoa não menos digna e honrada, presto minha sincera e pessoal (sic) continência!
Comentários:
MSC disse...
PARABÉNS, CEL ESTEVES!TEMOS ORGULHO DE HAVER OMBREADO COM O SENHOR A LUTA POR MELHORIAS SALARIAIS E INSTITUCIONAIS PARA A PMERJ.NÃO SE ABALE, O SR. FEZ A SUA PARTE!A HISTÓRIA IRÁ HONRÁ-LO.JUNTOS SOMOS FORTES!
12:37 PM

Anônimo disse...
saudades desde já do Coronel Esteves, os fracos atacam os honestos, mas Lei divina não tarda e esses fracos e desonestos vão pagar e caro, não falta muito, é só questão de tempo. Deus escreve certo por linhas tortas e quem anda torto e sempre andou, um dia a casa cai e serão sempre lembrados como os desonestos e corruptos. Eu, como homem, não gostaria nunca de ser lembrado como desonesto e corrupto. vigilante entre colunas em alerta
11:53 PM

Anônimo disse...
O homem mais honesto, decente e íntegro com quem trabalhei nesta polícia. Respeitado por todos, exercia a sua autoridade sem ser autoritário. COMANDANTE, (com todas as letras maiúsculas)esse sim, soube representar bem o que é ser isso. A polícia militar perderá muito com a ida para reserva deste senhor por excelência. Um abraço ao meu eterno comandante. O mal não durará para sempre. Eles nunca terão um décimo do respeito que o senhor conquistou nos seus mais de 30 anos prestados para a Instituição. Se por ventura leres estas palavras mal escritas, saibas que são do fundo do coração e como sempre lhe digo, conte comigo para o que precisar. Um abraço ao meu comandante, pai, amigo e irmão. Presto aqui a minha respeitosa CONTINÊNCIA.
5:20 AM

www.verdadepolicial.blogsome.com
MOSTRANDO A VERDADE!!
Eu ganhei, eles perderam… A vitória do justo.
Os governantes sempre arrumam uma forma de proteger os seus e golpear os que vão de encontro aos seus princípios “éticos”. Por exemplo: o governo dos “GAROTINHOS” queria passar de 06 para 10 anos, o tempo de permanência dos coronéis na ativa para agradar os seus apadrinhados no poder (não conseguiu). Hoje com a navalha voltando-se contra as suas carnes, imaginem se tivessem conseguido. Já este governo de Sérgio Cabral e José Beltrame, com uma sede de vingança e manutenção do poder, passou de 06 para 04 anos a permanência dos coronéis na ativa. Tudo isso porque, simplesmente, foi questionada a maneira de tratar a Policia Militar do Estado do Rio de Janeiro.
A Polícia Militar deixará de contar hoje na sua fileira ativa, com um coronel DECENTE, HONRADO, DIGNO e JUSTO, Hildebrando Quintas Esteves Ferreira. Um comandante por excelência, respeitado, querido por todos e porque não dizer amado (pouquíssimos conseguem isso na tropa). Tive a honra de ser seu comandado e posso dizer isso para todos que me perguntam - quem é o Coronel Esteves?
Coronel Esteves a vitória é sua! Porque essa corja teve que mudar a lei para tentar atingi-lo e sinceramente não conseguiu. Não é a sua imagem que está denegrida perante a tropa, e pode ter certeza que no momento de despedida desses traidores, não haverá uma palavra de conforto para eles, nem mesmo daqueles que os subornaram. Sairão pela porta dos fundos da corporação e terão o tratamento que merecem. Não desanime, e mantenha-se firme em seu propósito, pois a verdade incomoda a escória e a faz cometer insanidades. O senhor é um COMANDANTE legítimo.
Um abraço ao meu eterno comandante.
POSTED BY Administrator ON
08.22.08 @ 6:51 pm 0 Comments

ESTEVES - CORONEL


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