5 de dez de 2016

NOTÍCIAS DO G1

'Quero meu nome limpo', diz Nelma Saraça, citada na investigação da Calicute
Linha telefônica que seria usada por Sérgio Cabral para negociar propina está registrada no nome e no CPF de Nelma de Sá Saraça. Advogado vai entrar com ação contra o ex-governador.

A casa de pouco menos de 40m², situada em Maricá, na Região dos Lagos, e a renda mensal de R$ 1.300 da empregada doméstica Nelma de Sá Saraça destoam do poder aquisitivo dos investigados da Operação Calicute. Entretanto, o nome e o CPF de Nelma aparecem nas investigações, que apontam a doméstica como a dona da linha telefônica que seria usada pelo ex-governador Sérgio Cabral para negociar propinas, um sistema que envolve o desvio de mais de R$ 220 milhões.
Nelma nega conhecer qualquer pessoa relacionada com o ex-governador. No último fim de semana, ela procurou o advogado Luiz Alfredo de Oliveira para pedir orientações, com medo do assédio e de ser apontada nas ruas como laranja do ex-governador. O advogado contou que vai entrar com uma ação contra Sérgio Cabral por danos morais, para que sua cliente seja indenizada por todo constrangimento que vem passando (assista ao vídeo abaixo).
"Nunca tive contato nem trabalhei com Cabral, nem com ninguém da família dele. Trabalho como doméstica há três anos e dois meses e com a mesma patroa há dois anos", explicou Nelma ao G1. Ela tem 42 anos, divide a casa com mais cinco pessoas, e garante estar alheia às acusações as quais Cabral vem sendo submetido.
"Não acompanho porque não tenho tempo, trabalho o dia todo, chego cansada. Além disso, minha televisão está quebrada", afirmou. Por falar em televisão, este é o item que Nelma indica sendo o bem mais caro que possui.
"A televisão foi a coisa mais cara que já comprei até hoje, que mesmo assim meu filho quebrou. À vista, a TV saía por R$ 1.300, mas como comprei à prestação, saiu um dinheirão. Ainda estou pagando uma coisa quebrada", contou. O G1 procurou o advogado de Sérgio Cabral, mas até a publicação desta reportagem não obteve retorno.
Muito diferente de Cabral, que coleciona obras de artes, joias, lanchas e móveis caros, Nelma vai a pé para o trabalho, para economizar. "Ganho R$ 1.100 de salário e mais R$ 200 para a passagem, mas vou andando para economizar o dinheiro da passagem para poder ajudar dentro de casa. Tenho despesa de R$ 450 de aluguel, comida para comprar, filho para criar, minha casa é muito pequenininha para seis pessoas que moram nela. É um quitinete de telha, com quarto, sala, cozinha e banheiro".
Após o susto de saber que seu nome está citado na investigação do Ministério Público Federal, Nelma só que desassociá-lo do envolvimento com Cabral. "Levei um susto, fiquei de boca aberta e assustada. Ficam me chamando de laranja quando passo na rua, isso não é legal, fora todo o constrangimento que estou passando por uma coisa que não tenho nada a ver. Só quero meu nome limpo, longe desse esquema todo".

Mais de 500 ligações.
Com base nos dados do Sistema de Investigação de Registros Telefônicos e Telemáticos, o Sittel, o Ministério Público Federal chegou a um número cadastrado em nome de Nelma de Sá Saraça, e que, ao analisar as mais de 500 ligações entre os investigados, os promotores chegaram a conclusão que essa era uma linha usada exclusivamente pelo ex-governador Sérgio Cabral.
No documento, o MPF relatou que Sérgio Cabral, Wilson Carlos e Carlos Miranda usavam telefones com outros nomes para ocultar as negociações. O ex-governador Sérgio Cabral usava o telefone em nome de Nelma de Sá, Carlos Miranda usava a linha registrada em nome de Boomerang Comércio de Veículos e Wilson Carlos na de Luiz Cláudio Maia. Os promotores também se basearam no depomento de Alberto Quintaes, diretor na Andrade Gutierrez e delator da Operação Calilute.

ESTEVES – CEL RR


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